sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Alimentação de qualidade na Universidade


O Restaurante Universitário da UFPA é uma das melhores opções a preço baixo no campus básico

                                                                                                                Brenda Maciel & Caio Oliveira


Há 18 anos ele tem sido a melhor opção para milhares de alunos e funcionários todos os dias na maior universidade pública do Pará. Com refeições diárias e de baixo custo, o Restaurante Universitário oferece uma alternativa de alimentação saudável e barata. Mas por trás de toda essa facilidade existe uma equipe com cerca de 50 funcionários que trabalha duro todos os dias no R.U. Básico.

Ranilda Gama, nutricionista formada pela própria Universidade, é a responsável técnica do restaurante e há 17 anos administra os gastos, pedidos, entregas, serviços e elabora o cardápio. Sempre com um embasamento científico para proporcionar uma refeição adequada. Para evitar o desperdício, Ranilda conta primeiramente com um planejamento orçamentário, de acordo com a demanda de consumidores. Todos os dias, cerca de 2.500 refeições são preparadas e servidas.

Mas, como em todo lugar, sempre acontecem imprevistos.  Quando eles ocorrem, Ranilda diz que sua equipe está preparada. Os funcionários responsáveis pela distribuição da comida, contam com certo “controle quantitativo”, obtido através da sua experiência diária: cada consumidor recebe uma quantidade média. Quando ocorrem certos erros nessa distribuição, o que seria servido no jantar passa a ser servido no almoço. Quando o contrário ocorre, também há um plano: o que não foi servido no almoço é reaproveitado no jantar. Dependendo da capacidade de armazenamento do restaurante e da durabilidade dos alimentos, nada é desperdiçado.

Todos os gastos do R.U. são pagos pela Universidade; desde o salário dos funcionários aos mantimentos, que, aliás, são obtidos de um modo diferente: através de leilão virtual. Distribuidores disponibilizam grandes quantidades de gêneros alimentícios na internet, e as empresas interessadas começam a dar seus lances. Só assim, o R.U. consegue oferecer uma refeição de qualidade com o valor de 1R$, através de subsídio do Governo Federal. Todo dinheiro arrecado com essas refeições vai diretamente para a conta da União.

Para finalizar, quando perguntada sobre o que poderia ser feito para melhorar o serviço do Restaurante Universitário, Ranilda diz que a mudança começa com os alunos. Segundo ela, a falta de educação é o que torna o Restaurante tão desorganizado. Furar fila, alimentar animais e desperdiçar a comida servida são os principais problemas do R.U. A partir do momento que os próprios consumidores se tornam conscientes de suas responsabilidades, todo o resto fica fácil. 

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A Amazônia que o mundo vê é tema de artigo


Jornalista e professor universitário mostra a “realidade” produzida pela mídia sobre os povos da floresta e suas histórias.

Gustavo Ferreira

“Mídia e apropriação de saberes tradicionais: a recorrência de um discurso de afirmação e de negação estratégicas”. Este é o nome do artigo lançado pelo jornalista e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Manuel Dutra, sobre a relação construída pelos meios de comunicação entre os conhecimentos científicos da natureza e os interesses econômicos dos “mais desenvolvidos”.

O professor mostra, em seu trabalho, a maneira como a imagem do nativo amazônida é, ao mesmo tempo, afirmada e ignorada pela imprensa, de acordo com as intenções dos inúmeros parceiros econômicos e políticos vinculados à grande mídia. As contradições nos discursos apresentados nos veículos mostra o quão afastados são os reais protagonistas do contexto verdadeiro da região, diferente da distorção mostrada para o resto do mundo.

Dupla-face

As abordagens sobre a produção científica na Amazônia mostram um caráter dúbio, segundo o autor do artigo. Citando o caso do médico Dráuzio Varela que, em dois momentos distintos, se mostra renegando os saberes da medicina natural, e apropriando-se das mesmas técnicas, como se estas fossem resultado de um esforço exclusivamente seu.

O que se vê é a construção de um discurso “de uma sobrevaloração de sua própria competência, em contraste com um contexto natural sem história, sem passado, sem gente do lugar afinal descoberto e revelado, no momento presente”. Ou seja, os mesmos benefícios da medicina natural, desvalorizados (quando Dráuzio diz, na Revista IstoÉ de março de 2005, que “nós não temos nada a aprender com a medicina dos índios”), são postos em destaque novamente, através da exposição midiática.

Recorrência

Dutra destaca que este processo é fruto da história, de uma tradição colonialista preconceituosa que se mantém até hoje. Segundo ele, “o tempo passa e os elementos essencialmente constitutivos das velhas narrativas permanecem, atualizam-se”.

Este discurso exalta a ciência como a verdade absoluta, porém coloca o nativo como elemento segregado do processo. “certa é a ciência branca e hegemônica; na verdade, certos sentem-se todos aqueles que têm o poder de produzir, de modo sedutor na telinha, o silêncio daqueles que por eles são dominados e explorados, prática discursiva dos que se apropriam gratuitamente de saberes tradicionais para ganhar muito dinheiro e, parte do processo, negam que os povos tradicionais tenham alguma forma de saber”, diz o jornalista.

Outro ponto do artigo é a seletividade por meio de termos específicos, que fazem referência a elementos da cultura dos nativos. No artigo, Dutra cita o caso da palavra “biodiversidade” e do ribeirinho Sidomar, entrevistado pelo programa Telecurso 2000, de março de 1999. Sidomar não conhece o sentido da palavra em si, mas tem contato direto com todos os seus componentes naturais. Por este desconhecimento, o mateiro fica à parte da estrutura sustentadora da natureza.

“Dessa forma, o produtor midiático deixa mais ou menos explícito que os povos da floresta não conhecem a floresta, e que o saber sobre raízes, folhas, fungos, insetos e animais, etc. é atributo da instituição científica”, diz o autor do artigo.



sexta-feira, 16 de setembro de 2011

UFPA é referência na Produção de Biodiesel


 Por Carlos Fernando e Leandro Ribeiro

Quando se trata de produzir biodiesel, pode-se dizer que a UFPA é uma grande referência nesta tarefa. A universidade conta com duas usinas cujas capacidades de produção chegam a cerca de oito toneladas por dia, administradas por professores, doutorandos e alunos de iniciação científica.
O bolsista e doutorando Silvio Mota, formado mestre em 2009 e também envolvido nas pesquisas, informou que a produção ocorre, principalmente, a partir do óleo de dendê, o qual oferece melhor rendimento no processo. A obtenção é atingida por meio dos processos de craqueamento e transesterificação, que consistem na separação de elementos químicos.
Diesel Vegetal
O projeto denominado Projeto Diesel Vegetal conta com a participação do Instituto Militar de Engenharia (IME) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e é coordenado pelo professor Nélio Teixeira Machado. Além de produzir biodiesel, também é feito o fracionamento de óleo. Por meio deste procedimento é possível a obtenção de outros compostos como a gasolina, o diesel e a querosene, assim diminuindo o nível de acidez e viscosidade para a sua utilização em motores.
O foco das pesquisas, ratifica o bolsista, além do lado econômico de produzir biodiesel para exportação, é o fator ambiental, reduzir ou até substituir o uso de combustíveis fósseis na produção de energia e utilizar o projeto para integrar alunos de engenharia química em estudos e pesquisas referentes ao assunto, gerando assim recursos humanos.
Descaso
Silvio aponta que a produção de biocombustível na região norte está em constante ascendência e, dentro da UFPA o interesse por esse tipo de pesquisa é cada vez maior – o que justifica a necessidade de se trazer mais usinas para o Pará – apesar da falta de incentivos, recursos e até de atenção por parte do governo. Situação diferente da existente nas regiões sul e sudeste, onde as grandes empresas estão situadas devido ao grande incentivo recebido.

Cimento não é apenas cimento


                                                                                    Por Mariana Castro e Natália Costa

Em 1981 foi inaugurado em Brasília um monumento em homenagem ao ex-presidente Juscelino Kubitschek. A obra carregava em sua composição algo tão irreverente quanto sua forma, o cimento branco. Exatos 20 anos depois dessa inauguração, o cimento branco ainda é pouco conhecido do mercado brasileiro. Porém, na Universidade Federal do Pará, um grupo de pesquisa formado por estudantes de Engenharia Civil trabalha para provar que esse produto é uma alternativa viável e lucrativa.
           O cimento branco diferencia-se não só pela sua coloração, mas também por sua composição. A ausência de óxido de ferro, um dos fatores essenciais para sua cor, possibilita facilidade no processo de pigmentação. Devido ao seu maior valor estético, a procura por este material tem aumentado. O uso deste cimento pode descartar processos como a aplicação de massa corrida, massa fina e até mesmo pintura, levando a certa economia, ainda que seja mais caro que o cimento comum.
           O aluno do 6º semestre de Engenharia Civil, João Felipe Melo, explica que o cimento branco é menos denso que o comum e também menos poroso, o que o torna mais impermeável. Reage mais rápido, ou seja, adquire resistência, porém demora mais para ganhar rigidez. Existe, contudo, uma maior possibilidade de desenvolver fissuras, sendo mais utilizado para peças delgadas.
Peças utilizadas no Ensaio de Compressão Axial

           No laboratório da FEC, os integrantes da pesquisa realizam ensaios mecânicos em peças de concreto feito com cimento branco. Esses ensaios, chamados de ensaios mecânicos de compressão axial e diametral, além de elasticidade, dentre outros, são testes envolvendo a aplicação de forças de compressão e tensão, alem de análise da facilidade da peça para se deformar, onde se confere a resistência do material.
           O grupo de pesquisa conta com quatro alunos e com a Professora Orientadora Isaura Paes. O projeto foi idealizado para o mestrado da Faculdade de Engenharia Civil, mas acabou por ser adotado como pesquisa dos alunos de graduação do curso. De suas especificações ainda pretende-se originar cinco artigos.  O grupo busca desvendar e encontrar aplicações definidas para o cimento branco, preenchendo uma lacuna nas pesquisas nacionais sobre o assunto.
           João Felipe destaca ainda que “tudo depende da finalidade”. Ao contrário do que a maioria pensa, cimento não é apenas cimento, existem diversos tipos com diferentes especialidades. Pesquisas como essa abrem oportunidades de desenvolver a qualidade da construção civil, além de trazer variedade de produtos para o consumidor. É tão difícil encontrar pesquisas sobre o cimento branco que nem no Wikipédia tem.