quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Rock Rio Guamá 2011: cultura para todos na UFPA

Com novo conceito, festival destacará a música e outras manifestações culturais regionais.

Gustavo Ferreira e Marlon Leal

Surgido nos anos 80, década de ouro do rock nacional, o Rock Rio Guamá, evento organizado por alunos da UFPA, chega a sua 5ª edição em outubro, prestigiando bandas e artistas da cena musical paraense. Com uma identidade própria, o festival mudou seu nome – antes Rock In Rio Guamá, parodiando o Rock In Rio – mas continua com a proposta de divulgar a cultura amazônida.

Segundo Karina Menezes, integrante da Comissão de Comunicação, “o objetivo do festival é incentivar essa produção cultural existente na Amazônia, por isso a preferência por trabalhos que são cem por cento autorais - temos muita coisa legal sendo produzida por aí, mas só recentemente os espaços começam a se abrir para mostrar essas idéias”.

Diversidade

Grande parte dos eventos musicais que acontecem no Campus são shows de forró e reggae, sempre atraindo um grande número de alunos. Neste ponto, o Rock Rio Guamá aparece como mais uma opção de divertimento e cultura para a comunidade acadêmica e as demais pessoas.

A importância deste evento, segundo Karina, “é mostrar que a comunidade universitária é heterogênea: temos pessoas com todos os tipos de gostos musicais, ideologias, personalidades. É mostrar e até incentivar, que outros grupos se organizem, busquem seu espaço e se mostrem. Acima de tudo, a universidade deve ser um espaço de tolerância para com toda essa diversidade”.

Programação

Não apenas de shows o Rock Rio Guamá será composto. O evento será dividido em duas partes: a “estruturante”, voltada à troca de idéias sobre música, teatro, dança e o que mais for produção cultural da Amazônia, e a “artística” que contará, além dos shows, com exposições fotográficas e intervenções de artes visuais.

Além de valorizar a heterogeneidade cultural da comunidade acadêmica, o festival traz a marca da arte regional como instrumento de integração entre os alunos de diferentes cursos. O Rock Rio Guamá conta com a participação de diversos centros acadêmicos, como o CACO (Comunicação Social) e o CACS (Ciências Sociais).

Além destes, a Pró-Reitoria de Extensão (PROEX), coletivos culturais, como o Sala Livre, Curupira Antenado e Polifônico, junto com a Loja Ná Figueiredo, a Rede Cultura e a Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves também apóiam o festival. A primeira parte (estruturante) ocorre de 17 a 21, e a segunda (artística), de 25 a 28 de outubro, no Campus da UFPA.

Descaso e responsabilidade social: um contraste.

Por Jéssica Sobral e Mayra Leal

Visando melhorar a área de lazer da universidade, os alunos do curso de Artes Visuais, Engenharia Civil e Arquitetura e Urbanismo montaram um espaço com obras artesanais e um quiosque que servirá de repouso para os visitantes do Bosque Camilo Vianna e Benito Calzavara. Porém, o que seria um local de repouso, virou "stress" pois houve falhas na obra que provocam alagamentos no local.
A professora Gina Calzavara, coordenadora do projeto, define a obra como mal feita: "O objetivo, nesta época do círio, era que esse quiosque servisse de santuário para receber a santa. Mas, olha como está: tudo alagado! Chove muito em Belém, por isso tem que limpar quase todos os dias!"


O espaço é destinado a obras de sensibilização ambiental e responsabilidade social. É gerenciado pelo Instituto de Tecnologia, mas abrange projetos de vários cursos. Alunos da área da saúde utilizam o "Jardim da Saúde" para pesquisas com ervas medicinais e em parceria com a Sesma, promovem uma campanha de combate à dengue. Uma idéia boa, mas que causa uma contradição: "Como podemos fazer uma campanha de combate à dengue se a água parada fica conservada? É um absurdo que a prefeitura ainda não tenha tomado providências! Essa falha está atrapalhando o andamento dos projetos e não podemos montar uma estrutura para o círio com esse defeito!", comenta Gina.




Apesar da falha, atividades já estão sendo feitas no local, como a oficina de artesanato para as alunas da Terceira Idade e a plantação de mudas pela FAPESPA (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará), que tem o objetivo a produção de Biodiesel com base no processamento de plantas oleaginosas amazônicas presentes no Bosque. 
Gina faz um apelo para que os alunos cobrem da prefeitura uma solução para o problema: "Temos uma área de pesquisa que precisa ser explorada. aumenta o conhecimento do alunado e ajuda no avanço da Amazônia. Mas trabalhar em um lugar com problemas não é agradável, por isso ressalto a importância do reparo e da preservação do espaço que é benéfico para todos nós".

Faculdade de Geologia da UFPA estreita laços com o Ensino Básico

Por Gabriela Amorim e Lorena Saraiva

A Faculdade de Geologia da UFPA iniciou este ano o projeto de extensão "Composição de Kits Escolares" com o objetivo de esclarecer o desenvolvimento sustentável e seus ramos para o ensino básico.
O desenvolvimento sustentável é dividido em três ramos: físico, biótico e antrópico. No ensino básico há apenas um pequeno conhecimento sobre o físico, que se refere à formação da terra. "Neste e nos outros ramos ainda há um déficit de conhecimento", afirma o coordenador.
O projeto é coordenador pelo Professor Doutor Francisco de Assis Matos de Abreu e composto por quinze estudantes de geologia e oito professores.
O objetivo é preparar cem kits escolares explicando de forma simples a composição da terra, minerais, rochas e fósseis e distribuir em escolas de níveis fundamental e médio. Ainda está em aberto se serão apenas escolas pública ou privadas. Inicialmente o projeto está buscando parcerias com as escolas NPI e Tenente Rêgo Barros.
É um projeto recente e ainda não tem grande abrangência. Ele pretende aperfeiçoar a apredizagem das disciplinas relacionadas e conscientizar a comunidade escolar para os benefícios deste conhecimento, assim estreitando os laços da Universidade com o ensino básico.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Dois olhares sobre o RU

Um estudante e uma funcionária opinam sobre as atuais condições do Restaurante Universitário da UFPA. Organização e higiene são os principais pontos.

De: Gustavo Ferreira e Marlon Leal

Conhecido pela comida barata e pelas filas assustadoras, o Restaurante Universitário (RU) do Campus Básico da UFPA, prestes a comemorar 18 anos de funcionamento, recebe centenas de alunos, professores e servidores diariamente, no almoço e no jantar. A aglomeração de pessoas reflete o seu sucesso e, ao mesmo tempo, uma estrutura cada vez mais insuficiente para recebê-las. 

Para alunos e funcionários, um ambiente que precisa de reparos, sob pontos de vista distintos. Entrevistamos um aluno de graduação e uma funcionária, cada um relatando suas impressões sobre um dos pontos de encontro mais famosos da Universidade.

SENHAS E DESPERDÍCIO Adilson Figueiredo, aluno de Odontologia (localizado no Campus Profissional), conta que almoça no RU quando precisa estagiar no Campus Básico, e queixa-se sobre a falta de senhas para organizar a bagunça nas filas. “Ter senha é questão de ser justo, pois agora, sem as senhas, a aglomeração é constante. Acho que elas (as senhas) deveriam voltar”, disse o estudante.

Em contrapartida, a cozinheira Nazaré Almeida, que começa seu turno ás 6 da manhã, afirma: “melhorou muito sem senha, elas causavam muito transtorno. Inclusive houve um caso de agressão a uma funcionária, no RU do (campus) Profissional, há uns meses atrás, por conta das senhas”. Até agora, segundo ela, não houve nenhuma queixa contra o sistema atual.

Perguntados sobre o desperdício de alimentos após as refeições, Nazaré e Adilson têm visões diferentes. Enquanto para o estudante, o índice de rejeição é elevado, a funcionária considera o mesmo índice normal. “O que os alunos deixam mais é farofa, salada. O principal, eles comem”, segundo a cozinheira.

HIGIENE Um dos maiores incômodos para quem come no RU é o constante tráfego de cachorros entre as mesas. Mesmo com a simpatia de alguns jovens, a circulação dos caninos vai de encontro às principais leis de higiene. Neste aspecto, os dois entrevistados concordam ao afirmar que a presença dos animais é ruim.

Nazaré conta que os funcionários tentam buscar uma solução para o problema, perante os órgãos administrativos, e que a cozinha está livre de qualquer invasão dos animais. “É higiênica”, segundo ela, que também culpa os “alunos-porcos” para a presença dos cães no RU: “eles (os alunos) também contribuem, dando comida pros cachorros. Aí eles se acostumam e sempre voltam”.

Para Adilson, a solução seria “tirar os animais” do recinto, reforçando a segurança nas entradas do Restaurante. “Além de trazerem doenças, os cachorros atrapalham a gente na hora das refeições. O jeito seria fazer com que eles não pudessem entrar”, disse o estudante de Odontologia.