sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Cursos nas férias são um bom negócio


                                                                                                                                  Por: Amanda Campelo
    O que você vai fazer nas férias? Há algum tempo, quando o mês de janeiro se aproximava era comum pensar somente em descanso. Porém, atualmente com o mercado de trabalho exigindo cada vez mais qualificação dos que pretendem ingressar nele, o período de férias deixou de ser dedicado exclusivamente ao ócio. Agora, ao invés de pensar nas praias e nas horas prolongadas que se tem para dormir, dedicar o tempo livre a atividades produtivas, como cursos de qualificação é uma alternativa.
   Buscando conhecimento além da sala de aula, o estudante do segundo período de Publicidade e Propaganda, Marcio Dias, procurou os cursos de marketing político e gestão de redes sociais para fazer durante as férias. O estudante diz que apesar do pouco tempo que terá para descansar, sabe que será recompensado. Segundo ele, não há nada melhor do que investir no próprio conhecimento para posteriormente conseguir um bom emprego. Ele ainda ressalta “Se a gente não se capacitar, vamos ficar de fora da ciranda”.
   Para atender a demanda de pessoas como Marcio, a Escola de Propaganda e Marketing oferece, pela primeira vez em três anos de sua existência, cursos nas férias. Os cursos que duram entre três a cinco dias são muito mais objetivos do que os regulares. O número de vagas limitadas, possibilitando maior atenção dos professores aos alunos, também contribui para que os participantes obtenham o máximo de conhecimento possível.
   Os cursos nas férias são mais práticos do que teóricos, e visam atender ao público que quer se especializar em determinada área ou até mesmo, se reciclar. Cursos relacionados a mídias digitais são muito procurados, devido esse meio de atuação ser bastante novo e estar ganhando cada vez mais espaço no mercado.
   Com cursos que abrangem desde fotografia a marketing político e trazendo palestrantes de fora do Estado, a Escola de Propaganda e Marketing está tendo um bom retorno. “A iniciativa de implementar cursos nas férias tem tudo pra dar certo e se repetir nos próximos anos” afirma Caio César Moreira, responsável pela gestão de redes sociais da empresa.
   Já no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) não há cursos específicos para o período de férias. As opções são as mesmas oferecidas regularmente. No entanto, há uma modificação no horário, os cursos que geralmente ocorrem no período da noite, são transferidos para a tarde.
   No Senac os cursos são classificados em cinco eixos: de Gestão e Negócios; Ambiente, Saúde e Segurança; Hospitalidade e Lazer; de Produção Cultural e Design; e de Informação e Comunicação. Geralmente os mais interessados nesses cursos são adultos que buscam um aperfeiçoamento na área em que já atuam, ou jovens que almejam capacitação em cursos profissionalizantes.
   Visando aumentar seus negócios a doceira Rosidete Sena procurou o curso de Massas Folhadas do Senac. Ela já trabalha com bolos e doces, mas decidiu fazer o curso para começar a trabalhar com massas. “O curso é muito objetivo, poderei aprender o que quero em menos de uma semana, e o melhor, num tempo em que ficaria em casa sem fazer nada” diz Rosidete.
   Telma Marinho, assistente técnica pedagoga do Senac , diz que durante o ano todo os cursos do Senac são bastante procurados, todavia no período de férias há um ligeiro aumento de demanda, e acima de tudo de dedicação daqueles que fazem os cursos. Ela também ressalta que os cursos mais procurados no período de férias são os do eixo de Ambiente, Saúde e Segurança.
   Os cursos oferecidos nas férias ocorrem geralmente a partir da primeira quinzena de janeiro, mas é importante ficar atento ao período de inscrição. Há locais em que a matrícula pode ser feita até quando durarem as vagas, como por exemplo, na Escola de Propaganda e Marketing, e há outros com prazo de inscrição. Em relação ao valor, eles são bem variáveis dependendo do curso e da duração. Para saber mais sobre os cursos acesse o site da Escola de Propaganda www.escoladepropaganda.com.br ou o do Senac www.pa.senac.br/

Reforma no Mercado Municipal do Guamá


Mercado do Guamá: Os lados de uma reforma.
Por Lorena Saraiva

Carnes, verduras e frutas dividem espaço com pessoas, cachorros e lixos. Este é o cenário do entorno do Mercado Municipal do Guamá, localizado na Avenida José Bonifácio esquina com a Rua Barão de Igarapé Miri, enquanto sua obra não é finalizada.
Desde que o mercado entrou em reforma em 18 de janeiro de 2011, segundo o gerente Wilson Filho, os feirantes foram remanejados para barracas de madeira, construídas pela prefeitura, ao longo da Rua Barão de Igarapé Miri, principal via do bairro, e da Av. José Bonifácio.
Na frente do mercado foram construídas duas fileiras de barracas, formando um corredor estreito e abafado, no qual é impossível passar sem esbarrar em alguém, e tendo que dividir o espaço com a sujeira e os cachorros e gatos que buscam restos de alimentos.
O trecho da Rua Barão de Igarapé Miri, entre Av.José Bonifácio e Passagem Helena, se tornou intrafegável após o remanejamento, porque há barracas em toda a sua extensão. O administrador afirmou que não houve nenhum tipo de transtorno, pois foi solicitada a autorização da CTBEL para desviar o trânsito, porque realmente não tinha outro local para colocar os feirantes.
Segundo Nilson Castilho, que trabalha há 10 anos no mercado, a reforma era necessária, pois as condições de limpeza e higiene eram péssimas. A Prefeitura fazia a coleta de lixo diariamente, entretanto ficava um mau cheiro que espantava os clientes. Mas ele reclama de sua situação atual, pois desde que saiu do mercado suas vendas diminuíram bastante, e quando chove molha sua mercadoria, por isso ele teve que improvisar uma cobertura para sua barraca.
Todos os feirantes entrevistados afirmam que a previsão para o término da obra é janeiro de 2012. Porém o administrador do mercado afirma que inicialmente a data seria esta, mas devido a um acordo com a Prefeitura não há prazo para a entrega.
Ainda segundo Wilson Filho, o prazo seria de seis meses, porque a Prefeitura iria reformar apenas o mercado, e os feirantes teriam que pagar seus próprios equipamentos. Então em acordo com o prefeito de Belém foram incluídas no projeto as barracas de todos os feirantes, por isso a entrega foi alterada para uma data ainda indeterminada.
O projeto de revitalização do Mercado Municipal do Guamá irá beneficiar mais de 400 feirantes. O novo mercado será todo em alvenaria, as barracas para mercearia terão portas de rolar e os talhos de carne e peixe estão cumprindo as exigências da Vigilância Sanitária.
As pedras de mármore que colocam os peixes serão substituídas por bandejas de alumínio com gelo para mantê-los em conservação e será aberto crédito para os açougueiros comprarem suas balanças de acordo com as normas. Haverá banheiros masculinos e femininos, um local específico para os feirantes depositarem seus lixos e a área externa será toda cercada por bicicletários para os comerciantes e seus consumidores.
“As pessoas não gostam de andar no aperto, no meio das bicicletas e ainda ter que aturar essa poluição sonora’, diz Maria Léa, justificando a queda nas vendas. A feirante espera que a reforma termine antes de começar as verdadeiras chuvas, porque toda vez que chove, o bueiro da rua entope e alaga toda área afastando ainda mais os clientes.
Para Mariza Saraiva, moradora do bairro há 25 anos e frequentadora da feira, o mercado estava precisando de boa reforma, pois era inviável fazer compras em meio ao lixo acumulado pelo chão, as goteiras e as condições precárias das barracas. Entretanto ela afirma que a situação atual é perigosa, pois os pedestres têm que ficar no meio da rua para escolher suas mercadorias, correndo risco de serem atropelados.
A feira do Guamá não se restringe apenas ao Mercado Municipal, ela se estende por toda a via principal, na qual se encontram desde barracas de frutas e verduras até barracas de roupas e acessórios. Cada espaço das calçadas é disputado milimetricamente pelos vendedores, e os prejudicados são os pedestres, que tem que transitar pela pista.

Arquidiocese de Belém reúne igrejas em campanha de natal


Projeto Belém, a Casa do Pão pretende tornar mais eficaz a arrecadação e distribuição de cestas básicas nessa época do ano

Por Mariana Castro


Campanhas de doação são parte recorrente do período natalino, diversas são as instituições que se mobilizam em cada parte da cidade recolhendo itens de primeira necessidade.  Dentre elas, pode-se dizer que a participação mais significativa vem das igrejas espalhadas nas comunidades. Com o intuito de organizar e dinamizar a arrecadação, a Arquidiocese de Belém em parceria com a Cáritas Metropolitana desenvolve o projeto Belém, a Casa do Pão, que reúne 67 paróquias da cidade.

Segundo Vera Sampaio, uma das coordenadoras do projeto e membro da Cáritas Metropolitana, ele partiu de uma idéia do Arcebispo Metropolitano de Belém, Dom Alberto Taveira, como uma forma de “beneficiar um número maior de pessoas”. Através do sistema informatizado desenvolvido especificamente para o projeto, as comunidades podem computar as doações e estabelecer uma meta de acordo com as famílias que estão cadastradas.

A solução

Essa foi a forma encontrada para garantir uma distribuição mais igualitária. O cadastro das famílias no sistema é a principal arma a favor de uma divisão justa dos recursos. Criado através do número de identidade de um dos integrantes, ele contabiliza os membros da família, quantos deles trabalham, dentre outros aspectos. Vera diz que um indivíduo cadastrado que receber sua cesta básica em determinada comunidade, será identificado no sistema ao tentar receber mais doações em outra. “Vai minimizar a diferença na distribuição”, afirma.

Há ainda a proposta de intensificar “a presença da Igreja perto daquelas pessoas”, diz a coordenadora. A idéia é acompanhar o que acontece com essas famílias também nos outros períodos no ano, além do Natal, numa tentativa de minimizar a realidade de abandono e tentar a ajuda além do aspecto material, mas também social e espiritual.

A realidade das paróquias

Nas igrejas a situação é de dificuldade. As metas estabelecidas encontram barreiras na pequena quantidade de doações e no pouco envolvimento dos membros da comunidade. Luiz Paulo da Silva, 59, é integrante da equipe que coordena o projeto na Paróquia de São Pedro e São Paulo, no bairro do Guamá, e afirma que a situação piorou em relação ao anterior. “Ano passado a participação foi muito maior”, diz Luiz Paulo, “A equipe do ano passado era formada, em média por umas 12 pessoas. A deste ano é formada apenas por duas pessoas”.

Ele completa ainda dizendo “Ano passado o número de doações foi muito maior do que esse ano”. A relação de alimentos já arrecadados na paróquia mostra a falta de quase meia tonelada de alimentos para completar a meta, o que significa uma média de 300 cestas básicas completas para doação, número insuficiente para as famílias carentes da região.

Entrega das doações

Vera Sampaio explica que além dos alimentos que integrarão as cestas básicas, é possível também doar quantias em dinheiro, mas completa “Ninguém está autorizado a receber um centavo”, as doações devem ser encaminhadas para a conta do projeto no Banpará. Já as doações de alimentos devem ser feitas nos postos de arrecadação, localizados nas próprias paróquias e comunidades eclesiásticas participantes.

A entrega das doações será realizada neste sábado, 17, após a missa realizada às oito horas da manhã em todas as igrejas. Na Paróquia de São Pedro e São Paulo, a distribuição das cestas será por ordem alfabética, e aqueles que não receberem até o fim do período de entrega, às 11h, poderão buscar durante a semana, no mesmo local.

Ministério da Cultura quer criar políticas públicas para povos tradicionais de terreiro


Táta Kinamboji com Iyá Aduni Benton na II CNC.
O MinC ofertou, do dia 27 a 30 de novembro, a I Oficina Nacional de Construção de Políticas Públicas para Povos Tradicionais de Terreiros, em São Luís do Maranhão. O objetivo foi conhecer melhor as necessidades dos povos, e receber deles propostas de políticas públicas específicas para essas culturas. Foram ofertadas 100 vagas para líderes de povos tradicionais de terreiro de todo o Brasil e mais 40 vagas, ofertadas pelo governo maranhense para líderes do estado, que juntos, elaboraram propostas que serão mescladas ao Plano Nacional de Cultura.
O evento além promover a cultura desses povos com apresentações e manifestações artísticas, ofertou discussões acerca das problemáticas deles com temas como Patrimônios Culturais, Sustentabilidade, Direitos Civis entre outros.  O sacerdote, artista e professor da Faculdade de Artes Visuais da UFPA, Arthur Leandro, conhecido no Candomblé como Táta Kinamboji, e que foi um dos 100 inscritos, ressalta que essa é uma grande conquista para os povos. “Pela primeira vez na historia do país, o governo toma a iniciativa de conversar com os povos tradicionais de terreiro. Esse é um fato histórico” comenta o sacerdote do Candomblé, que representou o Pará junto com mais quatro pessoas.
Táta participou do grupo de discussões com o tema Comunicação e fez algumas propostas acerca desse tema.  Inicialmente, o professor critica a concessão de canais para empresas que promovem a violência religiosa, ou seja, apresentam programas de determinada religião e condenam outras. Ele cita como exemplo a rede Record, a Rede Vida, a TV Nazaré, e narra um episódio em que o Programa do Ratinho do SBT fala mal e ridiculariza as religiões, mostrando uma reportagem em que o prefeito de Belém, na época, Edmilson Rodrigues em gestão do PT, permite que as religiões afro tenham livre acesso a cemitérios públicos para rituais. A reportagem foi apresentada pelo assistente de palco conhecido por Sombra com a frase “Prefeito de Belém libera cemitério para Macumba”.
A partir disso, o artista exige que o governo federal retire a concessão de canais para empresas que praticam esse tipo de violência, pois o Brasil é um país laico. Arthur fala que outra proposta foi a inserção de programas que falem sobre as culturas de povos de terreiro em canais públicos, pois essas religiões são descriminalizadas e têm poucos espaço nas mídias, a não ser quando são alvo de críticas ou são vistas como curiosidade por elas.
Levando em conta uma pesquisa que o próprio Ministério da Cultura fez para mapear os povos de terreiro em três capitais brasileiras, Belém, Recife e Belo Horizonte, Táta elabora a proposta da criação de cotas para esses povos. Somente em Belém, foram mapeados 3180 terreiros, sendo que em cada um deles vivem cerca de 30 a 35 pessoas. Elas representam 10% da população de Belém, porcentagem significativa o bastante para que se abram vagas específicas em universidades e para que se estabeleçam políticas com cota de 10% para eles em todas as ações do ministério.
Como professor, Arthur também reivindica o espaço da cultura dos povos de terreiro no espaço em que trabalha. “A UFPA e o ICA [Instituto de Ciências da Arte] ainda têm resistência quando se fala em povos tradicionais de terreiro”, ele diz. A disciplina Poéticas Visuais Afro-Brasileiras, do curso de Artes Visuais, já foi aprovada pelo instituto, porém ainda não entrou em atividade. “A Universidade Federal do Pará não tem interesse nas comunidades tradicionais de terreiro” ele critica.
A I Oficina Nacional de Construção de Políticas Públicas para Povos Tradicionais de Terreiros, produto da II Conferência Nacional de Cultura, ocorrida em março de 2010, termina e o que resta são esperanças dos povos. Mesmo com todas as propostas feitas e o Ministério cheio delas, nada foi garantido, nenhuma das propostas. A Oficina, que já começou de uma forma excludente, validando inscrições apenas pela internet, até agora é apenas um fato histórico, e sem resultado algum.

Texto: Gustavo Aguiar